Nada vai me fazer levantar.
Deste lugar que afundo a cada segundo passado,
centímetro por centímetro tirando mais e mais do que fui-sou-serei.
Eu, por ser como sou, deixo-me afundar.
Olhando cada centímetro a menos que me resta com mais dor e menos força.

Pareceu-me (naquele instante as grades começaram a abrir-se, ouvia-se a voz de comando do oficial de plantão) que de certa maneira aquila era um fim, não sabia bem de que, porque afinal eu continuava vivendo, trabalhando na bolsa e vendo de vez em quando, Josiane, Albert e Kiki,…

Não sei bem ao certo, talvez hoje seja o dia das coisas começarem a mudar. Um tentativa, vai saber. Sei que tenho a necessidade de expor, tudo o que me passa. Regurgitar experiências e catar do chão cada pedaço dessa forma recém expelida. E expor, como um amigo expõe na curiosidade do achado, uma coisa amorfa que pegou num canto qualquer.

Com esse gesto me coloco despido de qualquer objeto ou espectativas a frete de todos. Corpo nu, não para reconhecer, mas sim para identificar-se. Por que só com esta identificação, nesse exato momento, poderemos gozar da plenitude da cumplicidade.

A TAREFA de amolecer diariamente o tijolo, a tarefa de abrir caminho na massa pegajosa que se proclama mundo, …

Resistir a que o ato delicado de girar a maçaneta, esse ato pelo qual tudo poderia se transformar, possa cumprir-se com a fria eficácia de um reflexo cotidiano.